Agua Boa do Univini – Janeiro de 2013

Popularmente existe um ditado que, dependendo da situação em
que for empregado, deixa de ser cômico e passa a ser tragico: “Quando uma coisa
começa mal a tendência é….PIORAR.

Fui convidado pelo meu grande amigo Ricardo Bernardes
(carinhosamente e sem ser pejorativamente apelidado de Portuga), com quase um
ano de antecedência, a conhecer uma estrutura de pesca montada quase “na boca” do
Rio Agua Boa do Univini, no estado de Roraima.

Mal acostumado a estar por quase todos os anos viajando para
a Amazônia, hora em Barcos Hotéis, hora em acampamentos, desde 2001, foi em
2006 que ouvi, pela última vez o canto do famoso passaro “O Guardião da
floresta”. Não hesitei.

OS PREPARATIVOS

Confesso que tinha pouca informação sobre o local. Poucas
história e alguns poucos vídeos na internet, entretanto, a unanimidade nas
opiniões demonstrava que o estilo de pesca seria totalmente diferente do que
estava acostumado a enfrentar no Uatumã, em Barcelos, no baixo Negro, Cuiuni,
etc… Pescaríamos nas margens do rio, o que particularmente me deixou, em um
primeiro momento assustado e, com o passar do tempo, sem grandes expectativas.

Contraditoriamente, tinha que “segurar a rédeas” do Portuga,
que estava frente à sua primeira viagem à Amazônia. Situação difícil pois não
queria vê-lo, de forma alguma, decepcionado.

Separamos o material (já com a premissa que enfrentaríamos
um final de temporada). Muitas Zaras e Jumping
Minnows
, algumas Twich Baits e
alguns JIGS (maravilhosamente bem atados pelo Mauricio, da Tralhas e Cia –
2441-0878)

Carretilhas, linhas, leaders
e, finalmente, a espera.

A APRESENTAÇAO NO AEROPORTO

Dia D. Despedida da família e chegamos ao Aeroporto
Internacional de São Paulo com 2h de antecedência. Resolvemos aguardar a
chegada dos demais integrantes da equipe, primeiro para conhecê-los e, segundo,
para que o check-in fosse feito de uma vez só. Todos reunidos, fila de
check-in. Quem já passou por isso sabe a dificuldade que é transitar com malas
e com tubos de varas dentro do aeroporto. Fila lotada, curva para cá, curva
para lá e fomos abordados por uma funcionária da TAM sobre adquirirmos o
“Acento Conforto” – aquele cujo espaço é maior. Todos aceitaram e então ela nos
moveu para um guichê exclusivo, mas que ainda tinha pessoas sendo atendidas. Hora do voo se aproximando.

O INICIO DO PESADELO

Compramos este voo (São Paulo – Boa Vista, com escala em
Manaus) com meses de antecedência.

Chegada nossa vez de sermos atendidos, uma funcionaria da
TAM chega a frete de todos nos com a seguinte mensagem: “Vocês não poderão
seguir viagem em Manaus com destino a Boa Vista. Houve um problema em Manaus e
relocamos pessoas lá que ocuparão os vossos acentos. Vocês têm duas
alternativas: ou aguardar em São Paulo e seguir amanha ou voar para Manaus,
passar uma noite lá e seguir para Boa Vista num voo que sai ao meio dia de
amanhã.” Simples assim.

Essa senhora e sua companhia aérea diminuem as pessoas e não
respeitam seus compromissos. Eles não entendem que havia um receptivo em Boa
Vista nos esperando, que teríamos ainda mais 2h de van até Caracaraí e mais 5h
de barco, navegando pelo Rio Branco, até a base. Isso não importa para a TAM.
Indignados, decepcionados, com os nervos à flor da pele e desamparados,
resolvemos seguir no voo para Manaus.

O check-in foi tão mal feito e com tanta pressa para que embarcássemos
que houve uma confusão imensa no etiquetamento das bagagens. Conclusão: parte
das bagagens nao foram localizadas no compartimento de carga da aeronave (já em
Manaus) e tivemos que criar um certo “pânico” nos funcionários de solo. Como
vamos para um hotel, passar uma noite, sem roupas? Será que realmente estas
bagagens foram embarcadas em São Paulo? Será que elas não serão perdidas em Boa
Vista? Sem contar a preocupação com os equipamentos de pesca, que são
caríssimos e em muitos casos são inestimáveis!

Saímos do Aeroporto de Manaus depois das 3h da manhã, até
que 99% das bagagens fossem encontradas. Apenas 1 de nós teve que tomar banho e
usar a mesma cueca, no dia seguinte.

Tivemos poucas horas de sono e embarcamos para Boa Vista.
Chegamos lá por volta das 13h. Com as 2h de carro. Conseguimos chegar em
Caracaraí por volta das 16h. Não teríamos mais tempo de navegar as 5h de Rio
Branco com a luz do dia, ou seja, fomos obrigados a pernoitar em Caracaraí.

O PREJUÍZO

Com este desrespeito da TAM, além de todo o stress gerado, perdemos 1 dia e meio de
pesca. Para quem sabe do que estamos falando aqui, de toda a expectativa que
uma viagem dessa gera (uma única vez no ano) e a perda de 1 dia e meio em
apenas 5 de pesca, deve imaginar o tamanho deste prejuízo.

A PESCARIA

Depois de navegar por 5h no Branco, passando por baixios
consecutivos (na verdade todo trajeto foi assim, de curvas e mais curvas
procurando as melhores rotas de navegação) pudemos ter uma ideia do que encontraríamos
por lá.

Fomos recebidos pela equipe do Wallace, proprietário a
empresa PortoTur, e por sua equipe, gentil e atenciosa.

Todos, sem exceção, se esforçaram ao máximo para esquecermos
os momentos angustiantes que vivemos às vésperas.

Um almoço rápido, material arrumado e vamos embora.

Isso já era meio para final da tarde. Nosso guia navegou por
incríveis 3 minutos. Desligou o motor, desceu o elétrico e apontou a margem do
rio. Sinceramente senti tamanho desanimo mas não podia transmitir isso ao
Portuga. Primeiro arremesso e uma investida na Jumping Minnow. Nada assustador no ataque mas a confusão que o
peixe gerou foi algo estranho. Depois de muita manobra, um Açú de 7kg nos deu
boas vindas.

Minha desmotivação foi inversamente proporcional à alegria
que senti naquele momento e de ver o Ricardo tão empolgado com aqueles
acontecimentos. Será que vai ser assim?

Peixe fotografado e devolvido, ânimos acalmados e uma descida,
na mesma margem até o final da tarde. Outro acú de 4kg e um paca de 4,5kg.

Há noite, na balsa, fomos informados pelo Wallace que eles
haviam deixados dois barcos de alumínio em duas lagoas diferentes. Seriam 20
minutos de caminhada entrando e saindo d’água, com o equipamento e geladeira
nas costas. Pensei imediatamente que estar neste local, no primeiro dia, faria
toda a diferença e prontamente me candidatei. A outra dupla (Milton e Odair) se
candidataram a ocupar a outra lagoa.

Não poderia ter tomado decisão mais acertada. Depois de uma
caminhada exaustiva, o oásis.

Entramos com o mínimo de ruído e começou a pancadaria. NUNCA
vi nada parecido. Na verdade, vi sim, num filme que pedi ao pessoal da Amazon Tours, no Texas, no inicio de
2000, quando Johnny Morris, proprietário da BassPro Shops esteve no Rio Negro Lodge, (Demeni e Aracá – medio Rio
Negro) com seus amigos. Honestamente, nunca vi tanto ataque “DESCOMUNAL” na superfície,
em um único dia, na minha vida. Nenhum peixe “anormal” apareceu (8Kg pra cima)
mas os que deram as caras deram também conta do recado.

Segundo dia fomos para o Rio. Produtividade baixíssima e
leito, em alguns locais, com 10cm de agua. Deslocamentos curtos demoravam horas.
Como apenas 3 duplas estavam lá pelo tucunaré (as demais pela fama dos grandes
peixes de couro do Branco), resolvemos que o sucesso dependeria único e
exclusivamente de estarmos dentro das lagoas. E foi o que fizemos.

Com o peixe ficando, a cada dia mais manhoso, as ações na superfícies
foram diminuído, mas não a quantidade. Todos os dias, retornávamos à base e ouvíamos
os relatos das duplas Irineu e Antonio e Odair e Milton e, todos os dias,
muitos peixes enre 5 e 6,5Kg, com alguns de 8Kg, mostrando as caras.

Essa foi a prova de que nem todo ditado é fato. O que começa
ruim, pode melhorar.

O Agua Boa do Univini é, sem sobra de dúvidas, um dos pontos
menos explorados da Amazônia Brasileira. A região é pequena e são poucas opções
de rios próximos, além dele. Mas creio que valeria a pena retornar em um começo
de temporada para sentir a piscosidade do próprio rio e ter mais opções de
lagoas desligadas.

Por: Marcelo Manastarla
Data: De 26/01/2013 a 02/02/2013

 

8 comentários

  • RICARDO Bernardes Rafael disse:

    A matéria está sensacional Maná, a única pena foi o contratempo causado pela Tam mas eu faria tudo novamente!!! Agora precisamos partir para uma de bass… Quem sabe México ou Flórida kkkkk. Só espero que seja em breve!!!
    Vamos aguardar ansiosamente a volta da turma que está seguindo para El Salto….

    Portuga

    • luis carlos fernandes disse:

      gostaria que vc. me desse mais informações, pois estamos com uma pescaria marcada com a porto tur (walace) para fevereiro de 2015. Gostaria de saber sobre a hospitalidade do pessoal do Walace, bem como sobre algumas particularidades do local, pois é a primeira vez que estamos indo, e ao que consta na mesma época do ano em vcs. foram.Me informe também se possível, a libragem da linha ideal, iscas, enfim toda informação que for possível.Antecipamente lhe agradeço

  • flavio barreto disse:

    Para variar , mais uma aventura….”DE CINEMA ” KKKKK
    Ver o sorriso no seu rosto depois de tanto tempo esperando um bruto deste porte, para mim que te acompanhei em varias empreitadas e até difícil não ficar emocionado , sabendo o quanto vc se empenha em suas conquistas !!! IMAGINO só seu desabafo e seu alivio misturado com o sabor da conquista .
    Parceiro .!!! .Parabêns por essa nova fronteira …….vc merece ainda mais …

    Abraços ..

  • Pedro Rodrigues disse:

    Aê Marcelão, esses monstregosnarés é que estavam faltando no seu curriculo, estou muito feliz por essa sua conquista que deixou de ser sonho e passou a realidade, agora é mais suave conseguir superar novos troféus e muitas mais emoções de lavar a alma, estou sempre torcendo por tí, voce é um cara lutador e merece grandes prêmios, gosto muito de voce por sua simplicidade e demostração de amizade !

    grande abraço,

    Pedro Rodrigues.

  • Ricardo Sabino disse:

    Estou indo dia 13/02/14 .
    Poderia me indicar locais,com os nomes,dos pontos de pesca?
    E alguns piloteiros em especial?
    grato
    ricardo sabino

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